quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dicionário de símbolos

Abismo


                                                            REPRODUÇÃO
Caos, trevas, união mística, dualismo entre trevas e luz, inconsciente.
Tanto em grego como em latim, designa o que é sem fundo, o mundo das profundezas ou das alturas indefinidas.

Nos textos apócrifos (aqueles não reconhecidos como divinamente inspirados ou sagrados pela religião que se professa), o abismo simboliza os estados informes da existência.

Simboliza o caos tenebroso das origens das trevas infernais dos dias derradeiros.

No plano psicológico, pode corresponder à indeterminação da infância, à indiferenciação da morte e à decomposição da pessoa. Entretanto, pode indicar, também, a integração suprema na união mística.

Há um abismo nas alturas, bem como, o há nas profundezas; um abismo de ventura e luz como de infelicidade e trevas. Todavia, o sentido de elevação apareceu posteriormente ao de descida.

Entre os sumérios, Enki  flutua sobre o abismo. 


Enki, deus das águas doces e Senhor do Mundo.
  
Para os acádios, Tiamat é quem coloca monstros à entrada do abismo. 

Tiamat, deusa das mitologias babilônica e sumérica, representada por uma serpente marinha ou um dragão.

Biblicamente, o abismo é concebido como um monstro, o Leviatã, como está escrito no capítulo 41, do livro de Jó.

Monstro marinho constante nas mitologias antigas, como a judaica e a fenícia, por exemplo.
O abismo está presente em todas as cosmogonias (do grego "cosmo" - universo - e "gonia - nascimento, é o termo que abrange as diversas lendas e teorias sobre as origens do universo de acordo com as religiões, mitologias e ciências), na forma da gênese e do fim da evolução universal. Este último, como os seres mitológicos, engole os seres para depois vomitá-los, transformados.

As profundezas do abismo evocam o país dos mortos e o culto à Grande Mãe Ctoniana (do grego "khton" - terra. Refere-se às divindades do inferno ou do subterrâneo - dos abismos: Pérsefone, Hécate, Hades, Deméter, por exemplo).

Jung se apóia nesse antigo fundo cultural ao estabelecer uma conexão entre o símbolo do abismo e o arquétipo maternal (imagem) da mãe amante e terrível.

Nos sonhos, o abismo evocará o imenso e poderoso inconsciente; aparecerá como um convite às profundezas da alma, para livrá-la de seus fantasmas ou deixar que eles se soltem.

Fontes: 

CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. p. 5.
http://pt.wikipedia.org/

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